Numa das folhas de papel branco (grande) escreve-se em caixa alta O DOUTOR CUNHAL VAI SER REI DE PORTUGAL (brincadeira, claro). Põe-se a folha à janela.
Na rua, os doze extremistas começam aos pulos. Bom sinal.
Abre-se a primeira garrafa de vinho branco e imediatamente se escreve, na segunda folha de papel branco (grande), também em caixa alta, MAO TSÉ-TUNG ESTÁ GAGÁ (brincadeira, é evidente). Põe-se a folha à janela.
Na rua, os doze iniciam o sarrabulho. Tudo a correr pelo melhor.
Exactamente nesse momento (para evitar esturro), sacodem-se de novo os dois Papas reservados e, pela janela, lançam-se os mesmos, com bastante sal e pimenta.
O sarrabulho atinge o ponto excelente.
Quando se começarem a ouvir as estaladas, é sinal que o cozinhado está na conta. Abre-se a segunda garrafa de branco.
O sarrabulho resultou totalmente.
Os convivas sentam-se então à mesa e comem a açorda de sável, com o branco fresco.
No fim, bebem a garrafa de gin. Toda.
Papas com sarrabulho, publicado no nº 4 de O Coiso (28/3/1975)